quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
O duelo entre eles começara vários meses antes. Só depois de muitas
batalhas tinham percebido que eram, afinal, two of a kind. A luta deu
então lugar às tréguas. As tréguas transformar-se-iam em paixão. E a
paixão decretara finalmente a paz. Deram por esquecida, a lei que dizia
que apenas um poderia sobreviver. Mas secretamente, cada um deles se
acreditava dono da situação. Sentiam-se seguros por detrás do delicado
véu da ilusão que tinham criado. Só quando repararam nas espadas que
ainda seguravam nas mãos, é que o choque os trouxe de volta.
Pressentiram o frio da lâmina a arrepiar-lhes o pescoço. Apeteceu-lhes
fugir, mesmo querendo tanto ficar. Despiram o escudo e mostraram-se
vulneráveis um ao outro. Ela olhou-o nos olhos uma última vez, e fez o
que tinha de ser feito. O silêncio foi cortado pelo som metálico da sua
espada a cair no chão. Por opção, desarmara-se perante ele. Ainda sentia
medo, mas já não se importava. Não sabia porquê, mas acreditava numa
coisa... Talvez o mundo tivesse lugar para dois imortais.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Pequenas histórias de encantar...
Saíram do carro e subiram as escadas, enquanto gracejavam sobre o
kitsch da decoração. Como era a primeira vez dela num sítio daqueles,
quis vasculhar cada cantinho. As riscas da sua camisola brilhavam de
forma estranha sob a negra luz que intoxicava o ambiente de tentação.
Quando deu por terminada a busca sentou-se, esperando-o
convidativamente. Brincaram e conversaram. Depois conversaram e
brincaram mais ainda. Aquele sofá tinha a medida perfeita do
desejo, encheu-se de sons e de fluídos. As unhas dela cravaram-se nas
costas dele. Os dentes dele marcaram-lhe o pescoço. Sem parar, o tecto
espelhado replicava os dois corpos dançantes, mostrando uma imagem
cruamente bela e perturbadora. Ela serviu-se de champagne no peito dele.
Ele estremeceu os recantos dela com o gelo do frappé. Apeteceram-se,
abusaram-se e cansaram-se. Tanto. Tudo. E no fim descansaram, ainda
ligados um no outro.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Não gosto de amor lamechas...
De
clichés antigos ou rimas demasiado sonoras.
Soa a amor forçado, a amor
preguiçoso.
Cada um ama como quer, eu apenas não amo assim.
Prefiro meias palavras, sabendo perfeitamente a sua outra metade. Prefiro
as entrelinhas e as indirectas que, por nos fazer balançar, de retorno só levam
uma troca de olhares. Gosto das frases provocadoras, das respostas sem tempo de
contra-ataque e de sussurros constrangedores que fazem ansiar por uma outra
hora. Gosto de termos próprios que por si só nos identificam e de muitos outros
que por não serem ditos a tempo inteiro os tornam tão especiais. De jogos só
por brincadeira, só porque nos apetece. De usar as palavras, o silêncio e o
olhar para tocar e desejar. Provocar, seduzir, surpreender.
Prefiro o amor
inteligente, gosto de amor original.
Sim, eu sei, por vezes romantizo
muito… mas não é um romance qualquer.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Mandas-me uma mensagem de bom-dia, diferente todos os dias..
...e eu não sei o que pensar de ti. Assustas-me pela certeza que tenho de que irás estragar tudo, e a culpa é minha, eu sei! Tentas agradar-me, ignorar a atenção que não te dou, fazendo-me sentir tão ingrata. Mas não posso ser de outra maneira. Provavelmente preenches um vazio do qual não me dou conta de toda a sua proporção. Provavelmente, irei sentir alguma saudade quando um dia tudo acabar, mas ainda assim…não posso ser de outra maneira. As amizades também têm o seu perímetro, e esta jamais poderia ultrapassa-lo, caso contrário seria mais um desencontro.
E eu não posso com mais um.Percebi que ainda não sei lidar com afectos sem medo dos seus limites. No entanto, não tenho de estar com pressa, afinal com tiver que perder esse medo (e, quem sabe, ganhar outros) eu irei perceber. Alguém o irá merecer.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
O N. foi um vamos-lá-ver-no-que-isto-dá sabendo de antemão que não daria em nada.
Quando falamos ele foi simpático. Não muito extrovertido mas não tão sério como parecia crer. Não estive lá muito tempo e os nossos turnos não eram muito coincidentes pelo que não foi rapaz que me ficou na cabeça por muito tempo. Mas o facebook impulsiona-nos a outras coisas. Isto de ter a informação ali à mão de semear tem tanto de fácil e pouco encantador como de encorajante. Sim, fui eu que fiz o pedido de amizade. Sim, fui eu que comecei a conversa com a mensagem de feliz aniversário (esta foi dada de graça, como recusar?). Guilty! A conversa foi mais fácil do que alguma vez pensei que pudesse ser. E em poucos dias trocamos números de telefone, e entre outros tão poucos marcamos o primeiro encontro.
Não vale a pena detalhar muito mais. O N. foi um vamos-lá-ver-no-que-isto-dá sabendo de antemão que não daria em nada.
Inicialmente foi físico mas nunca tão físico quanto se fazia esperar. Era divertido e tinha bom coração. Pelo menos sempre o achei. Fazia-se à vida que por si só já era uma achado na minha vida. Tirava os meus pés do chão fácil fácil e nas entrelinhas fui percebendo que de quando em vez imaginava-me no seu futuro. Assustou-me. Porque tive o mesmo tempo que ele e nunca o consegui imaginar no meu. Tinha um jeito um pouco infantil e um outro demasiado descuidado com as atitudes e palavras que me afastava sempre que eu fazia um esforço para me aproximar. Concluí que era mais um que me poderia fazer feliz, sim, mas dentro de quatro paredes. E se antes isso não foi suficiente, claramente dessa vez muito menos. Ou simplesmente o amor não aconteceu. Para o meu lado.
Não terminamos. Fomos terminando. Fui terminando. Mas sempre referi que não queria ficar de mal com ele.
- Amigos?
Estúpida. Alguma vez se pede isto a alguém que gosta mais do que nós?
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