Hoje não vos mostro modelos jovens e atraentes, mostro-vos o amor maduro, real, intemporal, que nem a doença mata.
Conto-vos o que ele me contou entre lágrimas e sorrisos.
Sempre que falamos, fala-me dela: a companheira de mais de meio século.
Perdeu-a para o Alzheimer, mesmo antes da morte física.
Perdeu-se também a ele, porque o nós desapareceu dando lugar a um eu solitário.
Sempre que se refere a ela emociona-se.
Sente-se nos seus olhos azuis baços pelo lacrimejar a dor, mas principalmente o carinho e amor que não morrerá com ela.
São nesses gestos, nessas constatações que esperamos por um amor
eterno, que eventualmente voltará a unir para sempre aquelas duas almas
ligadas por um amor intemporal.