quinta-feira, 17 de março de 2016

Fim de tarde




Envolveu-se nela e sentou-a no sofá daquela casa deserta. Despiram-se de tudo, menos do desejo que lhes levava o corpo e a alma ao fogo do inferno. Ela estava indefesa, entregue. Deitada, esperando-o dentro dela. E ele obedecia. Lia o calor da sua pele e empurrava-a contra si em investidas que eram de paixão, de raiva, de tesão. E de muito mais coisas que ele desconhecia. Depois parava. Com os lábios, procurava o sabor da vontade das entranhas dela. Embriagava-se e voltava a perder-se. O mundo, para além daquela fêmea que se estendia e contorcia por ele e só por ele, apagara-se todo duma só vez. Voltaria alguma vez a existir?

9 comentários:

  1. Por vezes o Mundo que desejamos está escondido dentro de uma só pessoa.
    Excelente texto.

    Beijos

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    1. E por vezes até o conseguimos encontrar :)

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  2. Hummm texto forte, deliciosamente erótico... a exploração das entranhas pela língua é o mais nobre da exploração humana...o texto é irrepreensível.
    Queria sugerir algo.... mudar a cor da fonte do post.... facilitará a leitura!!!

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    1. Vou pensar nisso, entretanto apliquei bolt para melhorar a leitura.
      Obrigada pela sugestão.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Obrigado por teres regressado e nesse regressar trazeres contigo este sentido do estar nos instantes do prazer, mesmo que perenes. Este estar, que por vezes logo desaparece pela naturalidade dele mesmo, sobriamente ensinando que o prazer é parte da vida, e que sem ele ela não é. Por isto "e de muito mais coisas que ele desconhecia" e nós também...voltará!
    Beijinho

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